Medo de falar com o seu guia?

Há uns dias fui abordada por uma pessoa (a quem doravante me referirei como AC) que tinha algumas questões sobre a comunicação com o Guia Espiritual.
medo espiritosEntre outras questões a que mais sobressaiu foi a do receio. Receio de, pelo meio das tentativas de se comunicar com o Guia Espiritual, deparar-se com alguma energia negativa que de alguma forma pudesse o pudesse prejudicar.
Nem a propósito comecei a ler um livro onde essa é uma das questões mais pertinentes abordadas pelo autor. Apercebi-me então de que se trata uma questão levantada por muitos, e talvez um dos principais motivos que levam as pessoas a desistir de sequer tentar.
Julgo, portanto, que é meu dever partilhar a resposta que dei a AC, podendo assim esclarecer mesmo aqueles que por algum motivo se possam não sentir tão à vontade para perguntar.
Segue a resposta:

"Eu percebo o seu receio. Também eu o senti muitas vezes. E qualquer contacto que tente fazer pode sempre correr esse risco. Por isso aconselho a só o fazer se estiver de bem consigo mesmo.
Se por algum motivo andar mais frágil, mais triste, talvez não seja uma boa ideia. Nessas alturas estamos mais propensos a atrair aquilo que não queremos.
Posso-lhe dizer que a forma de contacto que comigo resulta melhor é a da Igreja, que descrevi no blog. Foi a primeira que aprendi e o espaço tornou-se de tal forma familiar para mim, que apesar de já ter usado outras formas acabei sempre por voltar a essa E esse espaço é meu - portanto, lá dentro só acontece aquilo que eu quero. Mas sabe, AC, muitas vezes já eu fui lá e encontrei o sítio cheio de seres desagradáveis. Muitas vezes fui eu lá e tive de sair sem sequer conseguir falar com o meu guia. E chorei e berrei e aborreci-me. Mas saí de lá deixando o espaço vazio de presenças indesejadas. Porque, volto a referir, esse espaço é meu. Portanto, só lá pode estar quem eu permitir. Só que em certas alturas andamos mais em baixo e acabamos por sem querer permitir que entre na nossa vida aquilo que não queremos.

AC, isto implica uma certa força (falo em termos de energia, sobretudo) por parte da pessoa. Por outro lado, quantas pessoas sofrem influências de entidades negativas ou até de pessoas negativas sem saberem? Na verdade estamos sempre sujeitos. Só não estaríamos se não existíssemos.
A mim, pessoalmente, as energias alheias afectam-me muito. Por exemplo, se estiver num ambiente em que todos estão mal dispostos, por feliz que eu possa estar acabo por sentir a nuvenzinha negra a pairar por perto. Não é preciso estar a tentar estabelecer outro tipo de contactos para sofrer com essas influências. Mas no final acaba por depender de mim saber livrar-me disso. E julgo que o mesmo se aplica a esta situação.
Antes de o fazer pense - quais são as suas "armas"? De que forma se pode/consegue defender de uma situação dessas? Seja honesto consigo mesmo, neste momento, sente-se capaz de lidar com isso?

agradecimento
Não é a toa que no blog eu insisto muito na ideia de que podemos tudo com as energias equilibradas e a força de vontade. A meu ver o equilíbrio e evolução espiritual dão-nos essa força que nos permite "combater" o negativo. Só que convém primeiro descobrirmos em nós mesmos onde ir buscar essa força. 
Para uns é em Deus, para outros em Cristo, Alah, Buddha, etc. Isso não importa. Pode ser apenas em si mesmo. Importa é descobri-la."



A AC deixo desde já o meu agradecimento por me ter aberto os olhos para a situação. Por vezes precisamos mesmo do Olhar alheio para percebermos o que falta partilhar.

Aos restantes espero que este pequeno texto ajude a esclarecer um pouco mais sobre a comunicação com o Guia Espiritual. E estejam à vontade para me colocar as vossas questões.




Da importância dos sinais

Já falei antes dos sinais. E porque os julgo importantes, volto agora a falar.

Os sinais que ao longo da vida vamos recebendo podem ter vários intuitos. Nomeadamente
- saúde
- estilo de vida
- escolhas importantes
- evolução espiritual
Mas todos eles, julgo, têm um propósito último, que é o nosso aperfeiçoamento enquanto seres humanos.

caminho espiritual
Se os primeiros são relativamente simples de perceber, os outros nem tanto, já que mais subtis.
Qualquer um de nós reconhece que uma dor de dentes significa que já ultrapassámos a hora de ir ao dentista. Mas e os outros?
Será que quando insistentemente tenta comprar determinado objecto e não consegue (a primeira vez chega e a loja está fechada, na segunda vez o objecto está esgotado, na terceira há mas numa cor diferente daquela que quer, etc) isso não poderá ser um sinal de que talvez não deva comprar esse objecto? Que talvez seja melhor comprar um idêntico mas de outra marca? Que talvez seja melhor comprar um idêntico mas mais barato?

Dou um exemplo concreto. Em determinada altura quis comprar um bem que me ia custar cerca de 100 euros. Até nem era nada do outro mundo, mas na altura eu não tinha 100 euros para gastar em coisas, digamos, só para capricho. Não consegui comprar por diversas situações como as descrevi acima. Passado um mês tive uma conta de 90 euros do hospital, que felizmente consegui pagar logo por ter aqueles 100 euros de parte.
Isto parece parvo? Pode parecer. Mas não tivesse sido assim e teria que ter recorrido ao cartão de crédito e, como na altura as coisas andavam mal, os 90 euros provavelmente teriam saído a 130. Agora imaginem que a história era com mais um zero...
A este tipo de sinais relaciono o estilo de vida. Mas temos também muito parecidos os das escolhas importantes.
Outro exemplo, mudei de casa. Sabia exactamente para onde queria ir, até que valor estava disposta a pagar e as condições que queria na casa. Demorei um ano. Vi várias casas que reuniam as condições que eu queria, mas sempre que chegava a altura alguma coisa acontecia que nos fazia dar um passo atrás.
Cheguei a perguntar ao meu marido se seria um sinal para escolhermos outro sítio para viver. Ou se Então procurámos noutros sítios também do nosso agrado, mas foi ainda pior. Parecia que alguém não queria que saíssemos de onde estávamos. Que não era a altura certa para o fazer. Mas nós continuámos a ver - sem pressas.
sinaisJá tínhamos aceite a ideia de que iria acontecer quando acontecesse. Até ao dia em que encontrámos a casa perfeita - e de um dia para o outro estávamos lá a morar.
Será que todos os sinais anteriores não foram uma forma de nos ajudar a ir no sentido daquela casa específica?

Com a evolução espiritual acontece o mesmo, só que de uma forma ainda mais subtil que as anteriores. São sinais bem mais difíceis de interpretar, pois a mensagem não é tão directa. Mas acontecem na mesma. E muito!

Não vale a pena perdermos o nosso tempo a pensar que todos os acontecimentos do nosso dia-a-dia possam ter uma mensagem subliminar. Não vamos ficar paranóicos com isso. Normalmente o sexto sentido dá um alerta quando há alguma mensagem a ser recebida. Podemos ficar com a sensação de nos estarmos a esquecer de algo, ou a sensação de que não completámos algo, ou qualquer outra semelhante. Nessas alturas, sim, vale a pena olhar para trás e tentar perceber se pode ter havido alguma mensagem que nos escapou.
Caso não consigamos entender as mensagens, nem mesmo ter a noção de que havia mensagens a receber, também não há problema. Elas acabam por se repetir...


Artes Divinatórias


Arte, ciência, ou como lhe quisermos chamar, a prática de métodos de adivinhação consiste em predizer acontecimentos e/ou procurar o significado dos mesmos.
Existem diversas formas de o fazer, das quais as mais conhecidas são a astrologia, a cartomancia, a numerologia, a quiromancia e ainda o jogo de búzios. No entanto existem muitas mais.

bola cristal

Muitos desconfiam da veracidade destes métodos e muitos outros confiam neles cegamente.
Depois há também aqueles que, não desconfiando dos métodos, desconfiam de quem trabalha com eles – porque cobram e não deviam; porque deviam e não cobram; porque acertam pouco ou porque mencionam acontecimentos aos nossos olhos invisíveis.
Quanto a mim, mantenho-me numa posição um tanto neutra quanto ao assunto.

No que respeita à questão de cobrar ou não, se a “ética” dos dons recebidos indica que quem os tem os deve usar como uma dádiva e por isso nada cobrar, por outro lado, quando temos alguém que se dedica exclusivamente a isso, é natural que a pessoa tenha que ter um meio de subsistência. Vejamos o caso da Isabel – ainda que o faça, essa não é a sua “profissão”, portanto, ela tem um meio de subsistência que lhe permite nada cobrar pelas consultas. Todavia, questionada que foi nesse sentido, a sua resposta é que, caso entendesse dedicar-se exclusivamente ao Tarot, deixaria ao critério dos consultantes a questão da contribuição. Parece-me que seria justo para ambas as partes…

Já no que respeita aos métodos em si, a meu ver não há um melhor que outro, não há um que acerte mais que outros, há sim, adivinhos melhores que outros, como em qualquer profissão ou tarefa.
O que predizem não será lei, mas uma mostra de probabilidades face ao que o consultante experimenta em determinada fase da vida. Vejamos, qual é a probabilidade de um jovem vir a sofrer um desgosto amoroso ou uma mulher de 70 anos ficar viúva?
pendulo


Mas permitam-me agora falar daquilo que me levou a iniciar o texto e pelo que entendo que as artes divinatórias sejam importantes para o ser humano.

Mais do que servir para adivinhar o futuro, creio que as artes divinatórias sirvam também para auxiliar o ser humano na sua evolução espiritual.
Não raro nessas consultas são-nos indicadas as formas como reagimos em certas situações, características da nossa personalidade, traços de comportamento em geral. Só que como não é disso que vamos à procura, pois normalmente queremos é saber coisas como se vamos ou não casar, se vamos ou não ganhar a lotaria, ou até mesmo se vamos conseguir comprar aquela casa ou aquele carro de que tanto gostamos, nem sequer prestamos atenção a esses detalhes. Até porque, pensamos nós, de que adianta termos mais uma pessoa (além dos pais, do irmão, da esposa) a dizer que somos teimosos, quando já estamos fartos de o saber?
Pois aí é que está. Quantas pessoas nos dizem, quantas vezes já nós próprios dissemos, quantas vezes já vimos essa nossa característica a interferir com a nossa vida e ainda assim continuamos como se de nada importasse e não fazemos o mínimo esforço para o alterar?

quiromancia

Dou a mim mesma como exemplo. Desde a minha primeira consulta me foi referido que eu estava sempre a reviver o passado, em particular o período da infância. Isso já eu estava cansada de saber.
Em casa ninguém mo apontava porque para os meus pais essa época foi também a melhor – no auge da juventude, com uma vida bastante próspera e muito tempo pela frente para gozar essa prosperidade – o que faz com que também eles recordem frequentemente esse tempo. Até que certo dia, ao fim de cinco anos de casamento, o meu marido me disse, estava eu a contar uma história de há vinte anos atrás:
            - Já me contaste essa história trinta vezes!

Na altura apenas fiquei aborrecida com ele e mudei de assunto. Mas no dia seguinte, nova consulta, mais uma vez o alerta para isso. E juntei-o às palavras do meu marido para finalmente conseguir interiorizar
            “O passado foi bom, sim.
O passado era bem melhor que o presente, sem dúvida.
Mas continua a ser o passado.
Já passou.
Acabou.
O que tenho que viver agora é o presente.”
Nesse momento consegui tirar uma grande pedra do meu caminho e toda a minha situação mudou, obviamente para melhor. Menos um bloqueio a impedir a evolução.

Isto é só um exemplo. Mas quem é que me consegue agora convencer de que estas artes não são importantes para o nosso desenvolvimento espiritual?


Reencarnação - o Caso Shanti Devi

Este é parte de um texto retirado do blog Espiritismo a Sério. Transcrevo-o por dar uma boa perspectiva do tema da reencarnação.

Shanti Devi

(...) Shanti Devi nasceu em 1926, na antiga capital da nação, Delhi.(...) Quando chegou à idade de três anos, seus pais se divertiam muito porque, repetidamente, ela falava a respeito de seus maridos e seus filhos.
- Ela vai se casar cedo - brincou o pai - Precisamos ir preparando o dote. Até já comprei uma pulseira de ouro para o dia das bodas.
- Fico muito satisfeita com o que ela diz, pois é uma prova que vê que somos felizes, e quer ter uma vida igual à nossa - observou a mãe.
À medida que iam passando os meses, Shanti falava cada vez mais sobre o “marido” e os “filhos”. Sua teimosia em se apegar àquilo, em vez de se interessar pelos assuntos que dizem respeito às criancinhas, acabou preocupando os pais.
- Quem é esse marido de quem você tanto fala? – perguntou-lhe a mãe.
- O nome do meu marido é Kedarnath – respondeu a menina, sem hesitação. – Ele mora em Mutra. A nossa casa é de estuque amarelo, com enormes portas em arco e janelas de treliça. O nosso jardim é grande e cheio de cravos-de-defunto e jasmins. Grandes galhos de buganvília vermelha sobem pela casa. Muitas vezes nós nos sentávamos na varanda, olhando o nosso filhinho brincar no chão ladrilhado. Nossos filhos ainda estão lá com o pai.
Os pais de Shanti foram ficando cada vez mais preocupados. Perceberam que não se tratava de uma criança normal. Com medo de que a filha estivesse louca, levaram-na ao médico da família.
O Dr. Reddy, que fora alertado sobre o problema, assegurou aos pais que Shanti era uma criança normal e muito inteligente, que inventara aquelas conversas para chamar a atenção. Com a vantagem que lhe dava a sua qualidade de médico, iria fazê-la confessar que inventara aquelas fantasias - prometeu.
Shanti, metida em seu pequeno sari, sentou-se na dura cadeira de madeira do médico e cruzou os braços, enquanto respondia às perguntas do Dr. Reddy. Repetiu tudo o que dissera antes aos pais.
-Então, como é que você não passa de uma menininha? - perguntou o médico.
-Sabe de uma coisa?-retrucou Shanti.- Eu me chamava Ludgi e morri há cerca de um ano, quando dava à luz outro filho.
O médico e os pais entreolharam-se.
- Continue – convidou o Dr. Reddy. – Conte tudo mais.
- A minha gravidez foi difícil desde o começo – continuou a menina. – Não me sentia bem, e quando vi que se aproximava o dia, comecei a ter medo de não estar em condições. Sentia-me cada vez pior, e, quando ocorreu o parto, a criança estava em posição invertida. Ela escapou, mas eu morri.
A todas as perguntas do médico, a menina dava respostas pertinentes.
Shanti foi levada para fora do consultório por uma enfermeira, enquanto o Dr. Reddy conversava com os pais. Era de todo impossível – concordaram - que aquela filha única, educada com tanto recato, tivesse em mente tão impressionantes pormenores de uma gravidez difícil.
Nos quatro anos seguintes, os alarmados pais levaram Shanti de um médico a outro. Todos eles ficavam estupefatos, sem encontrar explicação para o caso.
Quando a menina tinha oito anos, seu tio-avô, o Professor Kishen Chand, resolveu tomar o problema em suas próprias mãos.(...)o professor escreveu uma carta, contendo perguntas pertinentes, e enviou-a ao endereço que Shanti tantas vezes mencionara durante os interrogatórios.
Quando a carta chegou a Mutra, foi aberta e lida por um estupefato viúvo chamado Kedarnath. Os fatos eram estarreedores, pois, na verdade, ele ainda estava sofrendo com a perda de sua esposa. No entanto, embora fosse um devoto hindu, não podia admitir que Ludgi tivesse renascido e vivesse em Delhi, lembrando-se nitidamente de sua vida em comum.
Desconfiado de algum plano sinistro, talvez visando lesá-lo, Kedarnath escreve a um primo, o Sr. Lal, que morava em Delhi, pedindo-lhe para entrar em contato com Shanti e sua família. O primo, que estivera muitas vezes em casa de Kedarnath quando Ludgi estava viva, poderia interrogar a criança, para provar que ela era uma impostora e seus pais desprezíveis chantagistas.
Pretextando negócios, Lal marcou um encontro com Devi em sua casa. Quando lá chegou, Shanti, que tinha então nove anos, estava ajudando a mãe a preparar uma sopa de legumes, e foi abrir a porta para o visitante.
A Sra. Devi ouviu um grito abafado e foi ver o motivo. Shanti atirara-se aos braços do estupefato visitante.
-Mamãe!-exclamou, soluçando de emoção.- Este é um primo de meu marido. Morava não muito longe de nós em Mutra e depois se mudou para Delhi. Estou tão alegre de vê-lo! Entre, entre!- acrescentou, dirigindo ao recém-vindo. – Quero saber notícias de meu marido e de meus filhos.
Naquele momento, apareceu Devi, todos os quatros entraram e iniciaram a mais incrível e agitada das conversas. Lal confirmou todos os fatos que Shanti vinha contando há anos. Havia, realmente, um Kedarnath que se casara com uma jovem, Ludgi. Sua esposa tivera dois filhos, pelo mais moço dos quais tinha uma predileção acentuada, até que morreu de parto, quando ia ter o terceiro. Shanti concordava, com uma indicação de cabeça, enquanto Lal falava.
O professor Chand foi chamado para se juntar ao grupo, e cooperar para que fossem tomadas as providências adequadas. Ficou decidido que Kedarnath e o filho predileto iriam a Delhi, como hóspedes dos Devi.
Quando chegaram, o filho de Kedarnath quase foi derrubado pela menina, menor do que ele, que tentava carrega-lo e o cobria de beijos, chamando-o pelos apelidos carinhosos, que o menino já havia quase esquecido. Quanto a Kedarnath, Shanti o tratou como se fosse uma adulta, como uma esposa submissa, fazendo questão de servi-lhe queijo e biscoitos, com os mesmos modos cerimoniosos característicos de Ludgi. Os olhos de Kedarnath encheram-se de lágrimas. Comovida, Shanti procurou consolá-lo, com palavras carinhosas, que somente Ludgi e o marido conheciam.
Apesar da insistência de Shanti, Kedarnath negou-se a deixar o filho com a família Devi. No fundo, aterrorizados com os estranhos acontecimentos, pai e filho regressaram a Mutra, a fim de refletirem sobre o caso.(...)
Chegou-se à conclusão de que o mais aconselhável seria levar Shanti a Mutra, e mostrar-lhe a casa onde ela afirmava ter vivido e morrido.
Um pequeno grupo tomou o trem, rumo a Mutra: Shanti, seus pais, Gupta, um advogado chamado Tara C. Mathur, assim como cientistas, repórteres e outras pessoas gratas.
Quando o trem chegou à estação, Shanti deu um grito de alegria e começou a acenar para várias pessoas que se encontravam na plataforma. Explicou, corretamente, quais eram os pais do seu marido. Depois de descer do trem, conversou com eles, fazendo perguntas pertinentes, e falando não o hindustani, que havia aprendido em Delhi, mas o dialeto da região de Mutra.
Os viajantes vindos de Delhi entraram nos carros que os esperavam, e começou uma das provas mais decisivas: saber se Shanti conhecia o caminho de sua suposta casa. Obedecendo às instruções da menina, seguiram por ruas estreitas e tortuosas, assustando os pedestres e as vacas sagradas que dormiam pacatamente nas portas das casas. Por duas vezes, Shanti hesitou antes de ensinar o caminho, pedindo que lhe desse algum tempo para refletir, mas indicou, afinal, em ambos os casos, a direção correta.
Enfim, mandou parar.
-A casa é esta – disse - Mas a cor é diferente. No meu tempo, era amarela. Agora é branca.
Não podia haver dúvida. Kedarnath e seus filhos, porém, já não moravam ali, e os novos ocupantes negaram-se a deixar a comissão examinar o prédio.
A pedido de Shanti, ela foi levada à casa onde Kedarnath passara a residir. Lá chegando, chamou os dois meninos pelo nome, mas não reconheceu a criança cujo nascimento custara a vida de Ludgi.
Em seguida, Shanti foi à casa da mãe de Ludgi, uma velha que ficou confusa e aterrorizada com aquela menina que agia como Ludgi, falava como Ludgi e sabia de coisas que só Ludgi conhecia. No entanto, ainda chorando a morte da filha, lembrou todos os detalhes de seu falecimento e dos funerais.Era demais, para a mente perplexa e cansada da velha.
Quando perguntaram a Shanti se nada mudara na casa de sua mãe, ela respondeu prontamente que não estava mais vendo o poço. Gupta mandou escavar o local que ela indicou, e foi realmente encontrado um poço, coberto com tábuas e cheio de lama.
Kedarnath perguntou a Shanti o que Ludgi fizera com vários anéis que ela escondera antes de morrer. Shanti respondeu que ela os pusera em um pote, que enterrara no jardim da casa em que moravam.A comissão de investigação encontrou, realmente, as jóias no local indicado por Shanti. (...) Evidentemente, Shanti não podia assumir o papel de mãe de meninos mais velhos do que ela, e seu amado Kedarnath aproximava-se dela com apreensão, e não com afeto.
Shanti compreendeu que estava vivendo em dois mundos e que, embora se sentisse atraída pelo passado, esse era mais penoso e difícil que o presente. Aceitando o conselho de outros, aos poucos, com esforço e sofrimento, afastou-se de sua família de Mutra e tratou de viver como uma jovem em Delhi.
Em 1958, cerca de um quarto de século mais tarde, um operoso repórter reabriu o seu caso. Encontrou Shanti levando uma vida tranqüila e discreta, como funcionária pública em Delhi. Jornais em todo mundo relembraram o caso, mas Shanti negou-se a fornecer novos esclarecimentos.
- Não quero reviver minhas vidas passadas, seja esta, seja minha existência anterior em Mutra – disse ela. – Foi muito difícil para mim dominar a vontade de voltar à minha família. Não desejo reabrir aquela porta fechada.
O Professor Indra Sem, da Sri Aurobindo Ashram (Retito Sagrado), de Pondicherry, tem toda a documentação do inexplicável caso de Shanti Devi. Os cientistas e letrados que estudaram o caso só puderam dizer, com certeza, duas coisas: uma menina, nascida em Delhi, no ano de 1926, sabia de fatos positivos acerca de uma mulher que morreu em 1925, e forneceu informações minuciosas e corretas acerca da família da morta e da cidade de Mutra, situada a muitas centenas de milhas de distância.”


shanti devi

Feitiços


Durante as minhas pesquisas, e sobretudo no período da adolescência, deparei-me inúmeras vezes com a questão dos feitiços.
Sempre duvidei que resultasse, mas nem isso me fez desviar da tentação de experimentar. Pelo contrário, uma vez que julgava que não iria ter qualquer repercussão, parti do princípio que mal não faria.
O que daí adveio é que me surpreendeu.

feitiçosFalo disso agora porque considero ter sido uma parte importante da aprendizagem. Como acredito que o destino está nas nossas mãos, a determinada altura pensei que esta seria uma forma tão válida como qualquer outra de agir sobre o meu.
Tive o cuidado de salvaguardar os outros. Ou, pelo menos, penso que sim. Excepto os que me são mais próximos e que por isso podem sofrer directa ou indirectamente com aquilo que faço na minha vida, não tenho conhecimento de que alguma outra pessoa tenha sido afectada. E lá experimentei.

O que aprendi com as minhas experiências foi que
- SIM, os feitiços funcionam
E ao mesmo tempo
- NÃO, eles não são a solução para os nossos problemas

Porque os resultados de um feitiço não são literais e, no fim, podem deixar-nos numa situação ainda pior. Falo disto para que sirva de exemplo a quem pondera fazer uso de tal “arte”. É a tal coisa de se eu soubesse o que sei hoje!...

Para ser mais concreta, eis um exemplo:

- Em determinada altura, cansada de procurar soluções, fiz um feitiço para conseguir que o meu ordenado aumentasse para 1.200€. Ao fim de dois meses era isso que eu tinha. Mas não o meu ordenado apenas. O meu e o do meu marido juntos somavam isso. Na verdade representou um decréscimo de 400€ em relação à situação anterior.

Podia dar-vos outros exemplos (não muitos, que não fiz assim tanta parvoíce), mas julgo que este é o suficiente. Ilustra bem o que eu queria dizer. O feitiço resultou, não posso negar. Só que no sentido inverso.
E todas as pessoas que já ouvi dizer que fizeram feitiços obtiveram resultados semelhantes. Nunca ninguém relatou ter recebido exactamente aquilo que pediu. Há sempre um senão.
Porquê? Não faço ideia!
Talvez porque assim tenha que ser. Talvez porque o objectivo seja esforçarmo-nos para atingir os nossos objectivos e não usar de artimanhas para cortar caminho. Não sei.
O que sei é que este não é o caminho. E espero que quem possa estar a ler estas palavras não precise de o colocar em prática para o perceber.